Para escrever essa história, eu precisei 'escreler' o livro 'A história
de Fernão Capelo Gaivota', do escritor americano Richard Bach. Sim, eu
'escreli', porque se tivesse digitado, eu teria 'digilido'. E assim o
fiz por considerar a forma mais íntima e pessoal de mergulhar
verdadeiramente em uma história que
pedia para ser vivida. Eu vivi o
drama, fui o próprio 'Fernão Capelo Gaivota'. Escrevi cada palavra a
próprio punho, com caneta de tinta azul. Mas não é de mim que esta
história que se formou a partir de uma experiência pessoal quer falar, e
sim de um menino que veio ao mundo para ensinar a compreensão, a
humildade, o desapego e, acima de tudo, o AMOR, para todos aqueles que,
de alguma forma, tiveram o privilégio de fazer parte de sua breve e
iluminada passagem por este mundo. Caio é seu nome. E gigante foi sua
luta. Assim como 'Fernão Capelo Gaivota', ele também precisou ir além
porque tinha necessidade da verdadeira liberdade. Vou chamá-lo de
Menino-Pássaro, por se tratar de uma história de superação e libertação,
pois ainda não inventaram uma palavra comum para definir o significado
de sua luta. É com a mais pura liberdade que conto esta história de tão
puro amor: a história de um Menino que salvou sua Mamãe. Ela não sabia
amar porque nunca haviam lhe ensinado. E a tristeza precisava dar espaço
para a alegria. Então a Mamãe rezava todos os dias para que o Deus lhe
enviasse um sentido para a vida. Pesaroso com suas preces, o Deus lhe
enviou um anjo com a missão de ensinar-lhe o amor. Mas o amor verdadeiro
exige sacrifícios. E nesta história, o sacrifício maior é de
reciprocidade que comove. O Bebê chegou trazendo consigo a encenação da
partida. Era preciso coragem para suplantar a anormalidade do que é
corpóreo. Assim, Bebê e Mamãe promoveram uma simbiose e, com as almas
entrelaçadas, viveram o mais lindo encantamento. Caio, o Menino-Pássaro,
nascera fisicamente perfeito, em vinte de dezembro de dois mil e
quatro. Com dois meses de vida, fora acometido por problemas que o
tornaram uma criança especial. Tivera sua coordenação motora
comprometida, tornando-se fisicamente dependente. A Mamãe tornou-se a
extensão de seu frágil corpo, porém, sua alma era de uma imensidão que
assombrava até mesmo o mais cético dos médicos. Pequeno Caio sentia o
amor que recebia de uma forma tão incontestável que, mesmo com tantas
internações em U. T. I., remédios que o levavam a outros problemas,
traqueostomia, gastrostomia e fisioterapia, permanecia ao lado de sua
Mamãe sem manifestações de dores ou cansaço. Mantinha uma serenidade e
um brilho no olhar como um guerreiro que sabe de sua real missão:
ensinar coragem e valor à vida.

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